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Antônio Júlio Nastácia: uma vida entre os palcos e o consultório

Se você tem adiado os sonhos por falta de tempo, precisa conhecer a história do Antônio Júlio. Ele tem 48 anos, é médico dermatologista na Unimed BH e guitarrista na banda Tianastácia. Quando se formou em Dermatologia, ele começou a tocar na banda, que na época tinha apenas duas músicas, e desde então concilia a vida entre os palcos e o consultório. De segunda à quinta, atua como médico e nos finais de semana, como músico. 

Antônio acredita que manter as duas profissões traz equilíbrio para a vida dele e que com um pouco de organização e criatividade todo mundo pode pensar maneiras de unir os seus sonhos em um mesmo caminho.

“A música é o oposto da medicina. O que uma tem de leve a outra tem de sério. Também aprendi que é possível unir os dois ofícios. Uma vez fiz uma palestra sobre câncer de pele em uma escola e levei uma música que falava sobre sol e filtro solar. As crianças aprenderam se divertindo. Aquela música “O Sol”, que fala “Ei, dor, eu não te escuto mais…”, eu fiz para a minha mãe. Ela tinha síndrome do pânico e falei para ela cantar quando estivesse com medo.”

Para encontrar tempo para os dois ofícios, Antônio abandonou tudo que não era importante. “Televisão é algo que eu não assisto há muito tempo. A última novela que vi foi Pantanal. Isso já deve ter uns 30 anos. Além de músico e médico, eu também sou faixa marrom de Jiu Jitsu e tenho duas filhas. Invisto o meu tempo nos meus sonhos e na minha família. Acho que se uma pessoa fala que não tem tempo para um sonho, mas passa três horas por dia nas redes sociais, sem trabalhar com isso, ela está se enganando de alguma forma. Não é? Minha sugestão é escrever tudo que você faz durante um dia em um papel. Assim, fica mais fácil de se organizar e usar o tempo para o que realmente pode fazer diferença na sua vida.”

Emanuela Lima, psicóloga da Unimed, conta sobre a importância de um olhar global na saúde

“Tive uma paciente que desenvolveu leucemia quando era criança e sobreviveu contra todas as expectativas. Ela parou a medicação aos 19 anos porque queria ter um filho. Quando o bebê nasceu, ela piorou e foi internada. A maior angústia dela era partir sem poder compartilhar tudo que havia aprendido com o filho. Então, sugeri para ela a possibilidade de registrarmos um vídeo diário sobre o que ela gostaria que fosse transmitido ao filho. Isso possibilitou que ela ressignificasse a possibilidade de morte e também transformou a minha percepção sobre a morte.   Aprendi que mesmo quando não se pode fazer nada do ponto de vista clínico, sempre há muito o que se fazer do ponto de vista emocional e de outros aspectos.”, nos contou Emanuela Lima, que é psicóloga hospitalar na maternidade da Unimed em Belo Horizonte.

Emanuela acredita que se por um lado, infraestrutura é algo importante em um hospital, infraestrutura sem humanização não é suficiente para oferecer um bom atendimento. “Muitas vezes é difícil perceber que o adoecimento físico está relacionado ao emocional e que a forma como lidamos com as doenças influencia na recuperação. Recentemente, acompanhei uma senhora que estava internada e sentia saudades do cachorro. Conseguimos encontrar uma forma dentro das regras do hospital e da vigilância sanitária para levar o bichinho até a parte externa do hospital. Isso influenciou nitidamente na recuperação dela e, em pouco tempo, ela foi liberada.”

Para tratar do emocional dos pacientes, Emanuela aprendeu a estar atenta à individualidade de cada um. E em contato diário com pessoas que estão em situações de saúde muito frágeis, começou a perceber a vida de outra forma. “Se eu te disser que você pode morrer amanhã, todos os problemas que você achou que tinha perdem a relevância para dar lugar a prioridades que você deixa passar e que são óbvias. Porque é muito fácil se esquecer do óbvio.”

Ubirajara Pacífico: um cuidador que prefere ser chamado de anjo da guarda

Ubirajara já trabalhou em rádio, televisão, foi apanhador de café e adestrador de cachorro. Hoje é cuidador de idosos e acompanha o senhor Arnaldo, que é vizinho dele, tem 75 anos e está com Parkinson e Alzheimer. Com o apoio dos médicos e da enfermeira Grazielle Santana, da Unimed Alfenas, Ubirajara recebe o direcionamento que precisa para cuidar do senhor Arnaldo.

Ubirajara, os médicos e a família do senhor Arnaldo repararam que ele está mais alegre nos últimos meses e que isso tem contribuído para a aceitação do tratamento. “Sabe o que eu acho que é mais importante na hora da doença? O idoso se sentir querido. Eu abraço ele. Falo que amo. Levo para passear na praça e para comprar perfume. O cuidador precisa ser tudo que o paciente necessita: amigo, mãe, pai e filho. O cuidador deveria ser chamado de anjo da guarda.”

“Me tornei cuidador de idosos há mais ou menos 15 anos. Sempre encontrava com um senhor na rua perto da minha casa. Nesse bom dia, boa tarde, como vai o senhor?, começamos a conversar e ele me contou que estava doente e não tinha família nem amigos na cidade para ajudá-lo. Falei que ele podia contar comigo. Assim, começou a nossa amizade. Ia na casa dele toda semana e chamava ele de Seu Zé.”, nos contou Ubirajara Pacífico, que tem 53 anos e se tornou cuidador de idosos por vocação. 

Ubirajara já perdeu pacientes e amigos, mas também aprendeu uma lição valiosa nessa jornada. “Nunca estamos preparados para a morte. Por isso, o importante é estar presente durante a vida. Olhar para o idoso não pensando que ele foi diferente um dia. Observando como ali existe sabedoria. Olhar para o idoso sem olhar para o celular ao mesmo tempo. Porque aí acabou a atenção, entende? A atenção é algo muito frágil.” 

A Sociedade do Riso e a missão de abrir uma janela para um paciente

“Entramos em um quarto do hospital e minha amiga palhaça tirou a sanfona da bolsa. Quando ela deu a primeira nota, o paciente começou a chorar. Descobrimos que ele era sanfoneiro e já tinha consertado a sanfona de um tanto de artista famoso. Passamos a tarde inteira tocando as músicas preferidas dele.”, nos contou o palhaço Bixiga, também conhecido como Estêvão Andrade, colaborador na Unimed BH, médico na rede pública e participante da Sociedade do Riso.

A Sociedade do Riso é formada por uma comunidade de palhaços, profissionais e voluntários, que recebem o apoio da Unimed BH e fazem intervenções em hospitais, creches e asilos. Estêvão entrou para o grupo em 2017 e, depois de fazer o treinamento, criou o Palhaço Bixiga, que tem sotaque italiano, é dramático e sente saudades da mãe. “Cada um tem um palhaço dentro de si. A gente aprende isso no curso. Não adianta forçar. É um processo de autoconhecimento.”

A primeira visita do Bixiga foi no Hospital São Francisco e o Estêvão já sabia do seu desafio: deixar o médico fora do quarto. “Eu não podia ficar olhando para o aparelho, para o soro. O palhaço precisa abrir uma janela no quarto do paciente. Fazer ele lembrar de uma música da infância, sonhar com o que está para além daquelas paredes.”

“O riso é muito importante para a saúde. Contam para a gente que depois que visitamos o paciente, ele passa a aceitar a dieta que não queria, começa a ficar sentado e alguns até querem caminhar. Também é importante para o acompanhante, que está sofrendo pelo paciente e vivendo uma rotina cansativa no hospital. “

Estêvão desconfia que os palhaços são os que mais se transformam nessa história. “Quando a gente se desloca do nosso lugar para olhar o sofrimento do outro, o nosso fica muito menor. Não só porque a gente percebe que existem situações mais desafiadoras. O que ganhamos em troca – o sorriso do paciente e do acompanhante – nos alimenta e diminui o nosso sofrimento.”

Palhaço Bixiga não só já fez palhaçada como recebeu a mesma moeda em troca. “Teve um paciente que disse que era mudo. Passamos um perrengue para fazer as brincadeiras com ele. Quando estávamos saindo do quarto, ele disse em alto e bom som: tchau, pessoal!”, ou como diria Bixiga, Ciao, amico!

Sulamita Gomes e o mosquitinho da corrida

“O esporte é um vício que quando entra no sangue, não sai mais. Eu costumo dizer que o mosquitinho da corrida me picou.”, nos contou Sulamita Gomes, de 22 anos, colaboradora na Unimed Inconfidentes e atleta. “A primeira vez que saí para correr foi com o meu marido. Eu tinha 17 anos e não consegui correr nem 1 km. Mas precisamos lembrar que a corrida é como tudo na vida. É tipo subir uma escada, sabe? Precisa ser degrau por degrau. Hoje, eu corro 28 km e estou me preparando para uma maratona.”

Sulamita já ganhou mais de 20 medalhas em Corridas de Montanha e acredita que o exercício físico precisa ser prazeroso para se tornar um estilo de vida. “Tem gente que chega no final de semana e não quer nem pensar em se exercitar. Comigo é o contrário. Além do meu treino durante a semana, eu e meu marido corremos no sábado e no domingo. É a nossa diversão. Quando eu perdi o meu irmão, foi a corrida que me salvou, que me ajudou a voltar a ser uma pessoa de bem com a vida.”

A atleta trabalha durante o dia como recepcionista na Unimed e estuda Educação Física à noite. Apesar da rotina puxada, ela sempre consegue um tempinho para se exercitar durante a semana. E – por que não? – para levar outras pessoas com ela. Sulamita faz parte do Programa de Qualidade de Vida da Unimed Inconfidentes. Antes ou depois do trabalho, duas vezes por semana, ela faz treinos de corrida para colaboradores da empresa. 

“A turma tem 25 pessoas. A Polly, uma das colaboradoras, não conseguia correr nem 400 metros quando começamos. Com 4 meses de treino, ela já está correndo 5 km e perdeu 4 kg. Ela comentou que a corrida também deixa ela mais alegre. Outro dia, fomos até o Pico do Itacolomi. Foram 13 km.”

Quando o desânimo chega durante uma prova de corrida, Sulamita lembra das conquistas dela e de seus alunos. Pensa em várias pessoas que encontrou pelo caminho, gente que seguia correndo mesmo com deficiências físicas ou com problemas de saúde. “Não podemos esquecer que somos capazes e que a insegurança é a nossa maior inimiga. É claro que não vamos vencer todas as provas ou conquistar todos as metas. O importante é entender que tentar já é uma vitória. Temos que preocupar menos com a chegada e mais com o percurso. Isso serve para a vida.”

Socorro Ferreira e os aprendizados de 30 anos como colaboradora da Unimed

Até hoje Socorro Ferreira se lembra de quando foi chamada para ser colaboradora na Unimed Belo Horizonte. Era dia 18 de outubro de 1988. Socorro ganhou a matrícula 428 no crachá e, mesmo depois de acompanhar três mudanças de sede da Unimed, nunca mais se esqueceu do endereço Rua Maranhão, 388, onde tudo começou. 

Socorro tinha 20 anos e havia concluído o curso de Técnica em Processamento de Dados quando ocupou o cargo de Digitadora na Unimed BH. Ela digitava os relatórios dos prestadores de serviços, fazia cadastros de clientes e entregava os honorários digitados para os médicos. Apesar de ser o cargo mais baixo para quem se formava como Técnica em Processamento de Dados, Socorro enxergava a vaga como uma oportunidade. E estava certa. 

Dois anos depois de ser contratada, foi promovida para supervisora da área de Digitação. Em seguida, para Operadora de Sistemas e para a área de Contas Médicas e Hospitalares. Hoje, é Supervisora de Operações do Provimento. Coordena o trabalho de seis pessoas e tem a confiança de todos da empresa. 

Socorro faz questão de compartilhar com os novatos o aprendizado que teve durante esses 30 anos. Ninguém começa uma história pelo final. Quando começamos uma história, quase sempre, estamos muito longe de onde gostaríamos. E aceitar isso e não desistir da caminhada é uma das formas de vencer e sorrir nesse mundo ao mesmo tempo. Socorro não se esquece do dia 18 de outubro de 1988, quando tudo começou. Como sempre, do início. 

Lívia Drummond, uma técnica em enfermagem com a missão de aquecer bebês

A técnica em enfermagem Lívia Drummond já está famosa no hospital da Unimed de Belo Horizonte. Alguns acreditam que “até se uma formiguinha fizesse aniversário, a Lívia prepararia uma surpresa.” A história começou há oito anos, quando Lívia, pela primeira vez, pegou um bebê no colo e fez os cuidados iniciais indicados pela médica. Desde então, Lívia se apaixonou pela pediatria e nunca mais quis trabalhar em outra área.

Ao ver aqueles pequeninos que mal conseguiam se aquecer e já enchiam um ambiente de amor, Lívia teve uma ideia. Começou a pintar e a enfeitar as touquinhas do hospital para colocar nos bebês. A primeira touquinha foi vermelha para deixar o neném aquecido e com a cara do Natal. Touquinhas rosas, azuis, com orelinhas do Coelhinho da Páscoa, com laço e carrinho também fizeram sucesso. Teve até pai que deixou bilhete de agradecimento para a técnica em enfermagem contando como a iniciativa deixou a chegada do bebê ainda mais colorida.

Depois de vestir a touquinha nos pequenos, Lívia continua ao lado deles. Viu o Pedro Luís nascer com cinco meses de gestação, pesando 415 g, e desde então, visita ele na UTI todos os dias há quatro meses. Tem o contato das mães salvo pelo nome no WhatsApp e sempre é convidada para as festinhas de aniversário. Um dos bebês que ela viu nascer já está completando cinco anos. 

Hoje, a técnica em enfermagem faz cerca de oitenta touquinhas por mês. Depois do plantão, e de uma rotina puxada, ela leva os paninhos para casa e passa as noites costurando afeto. Quando o cansaço bate, quando a determinação falha, Lívia descansa e continua. Mesmo com apenas 29 anos e sendo mãe só de coração, Lívia já desconfia que é na ponta dos dedos que se cria uma família. 

Luciana Junqueira, colaboradora da Unimed, e a casa construída por uma cidade inteira

Quando Luciana entrou pelo portão da casa, localizada em uma rua sem nome, segurando um presente de Natal, ficou emocionada ao ver o jardim cheio de flores. Aquela casa em nada lembrava a construção que havia em seu lugar há nove anos.

Antes da ação realizada durante o Dia de Cooperar da Unimed, a casa da Dona Sandra tinha apenas um cômodo, com chão de terra batida. Faltava banheiro, pia, cama e todos utensílios de cozinha. Enquanto o marido trabalhava capinando, Dona Sandra passava os dias cuidando das crianças, uma delas, bebê, e a outra com uma deficiência mental.

Casa da Dona Sandra antes do Dia C

Ao ver que podia ajudar a Dona Sandra, Luciana convidou outros colaboradores da Unimed São Lourenço para fazer uma reforma na casa. Os detentos da cidade também foram convidados para participar dessa história. Como levava o lanche para eles, Luciana não demorou para perceber que se os detentos tinham começado a reforma incentivados pela redução de pena oferecida pelo sistema carcerário, algo havia mudado. Eles estavam felizes em ajudar.

A iniciativa dos colaboradores da Unimed, o trabalho dos detentos e as doações de materiais de construções que chegaram de vários cantos da cidade fizeram com que, aos poucos, a casa ganhasse o que faltava para ser chamada de lar.

Há quem acredite que essa é uma história sobre a reforma da casa da Dona Sandra. Mas, mais do que isso, essa é uma história que transformou a vida não só de uma família, mas dos colaboradores da Unimed, dos detentos e até de quem chegou mais tarde e ficou sabendo da história no final.

Muitas vezes, ao olharmos as dificuldades que outras pessoas passam, descobrimos que os nossos problemas nem são tão grandes quanto pensávamos. E nos lembramos que tudo pode melhorar quando envolvemos dedicação e amor.

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