“Onde há música não pode haver maldade.”, disse Miguel de Cervantes certa vez e logo nos lembramos da frase do escritor quando escutamos a história de Déborah e de sua mãe, Vera. “A gente gostava muito de ouvir música juntas. Eu abria o aplicativo de música e ora ela, ora eu, escolhia a música que íamos ouvir. Ela queria ouvir músicas do passado e os olhinhos dela brilhavam. Ela tinha uns olhinhos azuis lindos. E aí a gente esquecia da dor, do sofrimento, porque os olhos dela brilhavam de alegria. E os meus também, né?”, nos contou Déborah.

Durante dez anos cuidando de sua mãe, que teve um primeiro câncer em 2008, curado, e um segundo câncer em 2013, que se espalhou pelo corpo, Déborah nos ensinou sobre amor, fé e dedicação. “Alimentei, cuidei das feridas, estive com ela em todas as sessões de quimioterapia e em todas as internações. A mamãe era uma guerreira, uma otimista. Queria muito viver, ver os netos se formando, o pequenino indo para a escola.”, nos contou Déborah com a voz emocionada.

Quando tratava do segundo câncer, Vera fez uma cirurgia e teve complicações durante a operação. Seria necessário esperar as próximas 72 horas para saber se ela iria resistir e Déborah se lembrou de como foi surpreendida:

“Eu estava no quarto esperando a mamãe, mas como ela foi para o CTI e não é permitido ficar lá, tive que deixá-la sozinha. No dia seguinte, quando voltei, mamãe estava cantando com os enfermeiros. Toda entubada, cheia de aparelhos, nos olhou e disse: eu vou sair dessa. Todo mundo estava encantando com a força de vontade que ela tinha e o médico nos falou que estava surpreso com o quadro.”

Quando os tratamentos pararam de surtir efeito, Déborah, junto com a equipe de médicos, decidiu que seria melhor deixar Vera partir. “A equipe da Unimed Barbacena foi fundamental durante todo o processo da doença. Mamãe ficava esperando as visitas, sempre queria mostrar que estava melhorando. Eu sou profundamente grata a todos. Mas, ah, o Doutor Rodrigo… Quando a mamãe veio pra casa em estágio terminal, para cumprir a sua jornada aqui, o Dr. Rodrigo conversou comigo com tanto carinho. Ele  tem todo o meu respeito e admiração.”

Ao compartilhar a sua história com a gente, Déborah deixou uma lembrança para todos que passam por um momento parecido: “Diga para a pessoa que você cuida, que tudo vai passar, que você estará sempre ao lado dela. Eu sinto que a mamãe está em paz. E eu estou bem por ter feito o meu melhor.”


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