Ubirajara já trabalhou em rádio, televisão, foi apanhador de café e adestrador de cachorro. Hoje é cuidador de idosos e acompanha o senhor Arnaldo, que é vizinho dele, tem 75 anos e está com Parkinson e Alzheimer. Com o apoio dos médicos e da enfermeira Grazielle Santana, da Unimed Alfenas, Ubirajara recebe o direcionamento que precisa para cuidar do senhor Arnaldo.

Ubirajara, os médicos e a família do senhor Arnaldo repararam que ele está mais alegre nos últimos meses e que isso tem contribuído para a aceitação do tratamento. “Sabe o que eu acho que é mais importante na hora da doença? O idoso se sentir querido. Eu abraço ele. Falo que amo. Levo para passear na praça e para comprar perfume. O cuidador precisa ser tudo que o paciente necessita: amigo, mãe, pai e filho. O cuidador deveria ser chamado de anjo da guarda.”

“Me tornei cuidador de idosos há mais ou menos 15 anos. Sempre encontrava com um senhor na rua perto da minha casa. Nesse bom dia, boa tarde, como vai o senhor?, começamos a conversar e ele me contou que estava doente e não tinha família nem amigos na cidade para ajudá-lo. Falei que ele podia contar comigo. Assim, começou a nossa amizade. Ia na casa dele toda semana e chamava ele de Seu Zé.”, nos contou Ubirajara Pacífico, que tem 53 anos e se tornou cuidador de idosos por vocação. 

Ubirajara já perdeu pacientes e amigos, mas também aprendeu uma lição valiosa nessa jornada. “Nunca estamos preparados para a morte. Por isso, o importante é estar presente durante a vida. Olhar para o idoso não pensando que ele foi diferente um dia. Observando como ali existe sabedoria. Olhar para o idoso sem olhar para o celular ao mesmo tempo. Porque aí acabou a atenção, entende? A atenção é algo muito frágil.” 

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