“Entramos em um quarto do hospital e minha amiga palhaça tirou a sanfona da bolsa. Quando ela deu a primeira nota, o paciente começou a chorar. Descobrimos que ele era sanfoneiro e já tinha consertado a sanfona de um tanto de artista famoso. Passamos a tarde inteira tocando as músicas preferidas dele.”, nos contou o palhaço Bixiga, também conhecido como Estêvão Andrade, colaborador na Unimed BH, médico na rede pública e participante da Sociedade do Riso.

A Sociedade do Riso é formada por uma comunidade de palhaços, profissionais e voluntários, que recebem o apoio da Unimed BH e fazem intervenções em hospitais, creches e asilos. Estêvão entrou para o grupo em 2017 e, depois de fazer o treinamento, criou o Palhaço Bixiga, que tem sotaque italiano, é dramático e sente saudades da mãe. “Cada um tem um palhaço dentro de si. A gente aprende isso no curso. Não adianta forçar. É um processo de autoconhecimento.”

A primeira visita do Bixiga foi no Hospital São Francisco e o Estêvão já sabia do seu desafio: deixar o médico fora do quarto. “Eu não podia ficar olhando para o aparelho, para o soro. O palhaço precisa abrir uma janela no quarto do paciente. Fazer ele lembrar de uma música da infância, sonhar com o que está para além daquelas paredes.”

“O riso é muito importante para a saúde. Contam para a gente que depois que visitamos o paciente, ele passa a aceitar a dieta que não queria, começa a ficar sentado e alguns até querem caminhar. Também é importante para o acompanhante, que está sofrendo pelo paciente e vivendo uma rotina cansativa no hospital. “

Estêvão desconfia que os palhaços são os que mais se transformam nessa história. “Quando a gente se desloca do nosso lugar para olhar o sofrimento do outro, o nosso fica muito menor. Não só porque a gente percebe que existem situações mais desafiadoras. O que ganhamos em troca – o sorriso do paciente e do acompanhante – nos alimenta e diminui o nosso sofrimento.”

Palhaço Bixiga não só já fez palhaçada como recebeu a mesma moeda em troca. “Teve um paciente que disse que era mudo. Passamos um perrengue para fazer as brincadeiras com ele. Quando estávamos saindo do quarto, ele disse em alto e bom som: tchau, pessoal!”, ou como diria Bixiga, Ciao, amico!

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